A Mercedes anunciou que o designer John Owen, uma das figuras mais influentes da história recente da equipe, deixará o time de Fórmula 1 ainda em 2026 após mais de duas décadas de atuação em Brackley. Responsável direto pelo desenvolvimento de nove carros campeões mundiais, o engenheiro encerrará seu ciclo para iniciar um período de afastamento conhecido como gardening leave, enquanto conduz a transição para o sucessor.
O profissional ingressou na estrutura em 2007, quando a escuderia ainda competia sob o nome Honda. Pouco depois, participou da transformação que levou à criação da Brawn GP, equipe que conquistou os títulos de pilotos e construtores em 2009. Com a aquisição do time pela montadora alemã naquele mesmo ano, Owen passou a exercer papel central no departamento técnico da recém-formada Mercedes.
Desde então, sua trajetória se confundiu com a ascensão da equipe ao topo da Fórmula 1. Ao longo dos anos seguintes, ele participou da concepção dos projetos que levaram o time a dominar a categoria entre 2014 e 2021, período em que a Mercedes acumulou oito títulos consecutivos de construtores, estabelecendo uma das hegemonias mais marcantes da história do esporte.
Nos últimos anos, Owen ocupava o cargo de Diretor de Design de Carros, função estratégica na definição das linhas aerodinâmicas, da arquitetura dos chassis e da integração com as unidades de potência. Segundo comunicado oficial divulgado pela escuderia, a decisão de deixar o time partiu do próprio engenheiro, que avaliou ser o momento adequado para buscar novos rumos profissionais após concluir a fase inicial de desenvolvimento do carro da próxima temporada.
A equipe destacou que o designer permanecerá envolvido no processo de transição, garantindo continuidade técnica antes de seu afastamento definitivo. Um porta-voz da Mercedes ressaltou que Owen teve participação direta em praticamente todos os carros modernos da marca na Fórmula 1, com exceção apenas do histórico W196, utilizado na década de 1950. O modelo W17, que será utilizado na temporada de 2026, marca o 17º projeto sob sua supervisão geral.
Enquanto isso, a escuderia já definiu quem assumirá a liderança do departamento. O atual diretor de engenharia, Giacomo Tortora, passará a ocupar o posto de Diretor de Design de Carros, integrando uma estrutura técnica comandada pelo diretor técnico-adjunto Simone Resta. A mudança ocorre em um momento estratégico, justamente quando a Fórmula 1 se prepara para a entrada em vigor de um novo regulamento técnico, que promete alterar profundamente conceitos aerodinâmicos e sistemas de propulsão.
Apesar de não ter repetido o domínio absoluto nos últimos campeonatos, a Mercedes segue entre as forças centrais do grid. Na temporada mais recente, a equipe terminou na segunda colocação do Mundial de Construtores, atrás da McLaren, que também utiliza motores fornecidos pela marca alemã. Internamente, dirigentes veem a reformulação técnica como parte natural de um ciclo de renovação necessário para enfrentar os desafios da nova era da categoria.
Ao longo de sua passagem pela Fórmula 1, Owen construiu reputação de engenheiro meticuloso e estrategista, capaz de liderar grandes projetos técnicos em ambientes de pressão extrema. Colegas de equipe destacam sua influência na formação de gerações de projetistas e engenheiros que hoje ocupam cargos-chave dentro da organização.
Com a saída programada, a Mercedes encerra um capítulo emblemático de sua história moderna nas pistas. A transição de comando no departamento de design simboliza não apenas uma mudança de nomes, mas também a tentativa de preservar a cultura de excelência técnica que levou a equipe ao topo da categoria durante a última década.
A despedida de John Owen acontece, portanto, em meio à preparação para um dos períodos mais desafiadores da Fórmula 1 contemporânea. Enquanto novos regulamentos se aproximam e rivais intensificam investimentos, a escuderia alemã aposta em continuidade estrutural para manter-se competitiva — agora sem um de seus principais arquitetos à frente do desenho de seus carros.
