Palmeiras na Era Abel Ferreira: renovação do elenco e evolução tática mantêm o clube entre os protagonistas

O Fim da Era Dorival Jr.: Por que o Palmeiras precisa de uma nova identidade tática

Palmeiras na Era Abel Ferreira: renovação do elenco e evolução tática mantêm o clube entre os protagonistas

Verdão atravessa 2026 sob comando do treinador mais vencedor de sua história e busca renovar o elenco sem abandonar a identidade competitiva construída nos últimos anos

O Palmeiras chega à segunda metade de 2026 vivendo um cenário muito diferente de uma ruptura no comando técnico. Abel Ferreira segue à frente da equipe e continua sendo uma das figuras centrais do projeto esportivo do clube.

Em dezembro de 2025, o treinador português renovou seu contrato até o fim de 2027. Em julho de 2026, o Palmeiras ainda trabalhava normalmente sob seu comando, inclusive utilizando a pausa do calendário para realizar uma intertemporada com atividades físicas, trabalhos táticos e jogos-treino.

Mais do que discutir uma troca de treinador, portanto, o desafio atual do Palmeiras está na evolução do projeto de Abel Ferreira. Depois de anos de conquistas, mudanças no elenco e pressão constante por resultados, o clube precisa continuar competitivo enquanto renova jogadores, desenvolve alternativas táticas e administra expectativas elevadas.

Abel Ferreira permanece no centro do projeto

A estabilidade no comando técnico é uma das principais características do Palmeiras atual.

Abel Ferreira assumiu o clube em 2020 e construiu uma passagem histórica. Até julho de 2026, o português acumulava 11 títulos pelo Palmeiras, tornando-se o treinador mais vezes campeão da história alviverde.

Entre suas conquistas estão as Libertadores de 2020 e 2021, os Brasileiros de 2022 e 2023, a Copa do Brasil de 2020, a Recopa Sul-Americana de 2022, a Supercopa do Brasil de 2023 e quatro Campeonatos Paulistas — 2022, 2023, 2024 e 2026.

O tamanho da passagem ficou ainda mais evidente em 17 de julho de 2026, quando o Palmeiras inaugurou um espaço dedicado ao treinador na Sala de Troféus do clube.

A homenagem ocorreu enquanto Abel continuava exercendo normalmente sua função de técnico da equipe principal.

Dorival Júnior pertence a outro capítulo da história

Dorival Júnior realmente comandou o Palmeiras, mas isso aconteceu em 2014.

Sua passagem ocorreu em uma temporada complicada, na qual o clube lutou contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro até a rodada final. Dorival acabou deixando o cargo após aquela campanha.

Em 2026, a situação é completamente diferente.

No dia 15 de maio, o São Paulo anunciou Dorival Júnior como treinador, com contrato até o fim da temporada. Portanto, não existe uma “Era Dorival Jr.” recente chegando ao fim no Palmeiras.

Se o objetivo é analisar o momento atual do Verdão, a discussão correta envolve a continuidade e a evolução da Era Abel Ferreira.

Palmeiras precisa renovar sem perder sua identidade

A permanência de um treinador por tantos anos traz vantagens importantes. Existe conhecimento profundo do clube, dos processos internos e da pressão existente em competições nacionais e internacionais.

Ao mesmo tempo, a longevidade cria outro desafio: evitar que o modelo de jogo fique previsível.

O Palmeiras precisa continuar incorporando novas soluções ofensivas e defensivas sem abandonar características que ajudaram a transformar a equipe em uma das mais competitivas do futebol brasileiro.

Essa evolução já aparece no cotidiano da Academia de Futebol.

Durante a intertemporada de julho, Abel e sua comissão realizaram trabalhos específicos envolvendo organização defensiva, movimentos ofensivos e bolas paradas. Em 28 de julho, às vésperas do confronto com o Vitória pelo Brasileirão, a comissão voltou a trabalhar posicionamentos, movimentações e jogadas ensaiadas.

Ou seja, a questão não é construir uma identidade completamente nova, mas modernizar uma identidade que já produziu resultados históricos.

Estêvão já pertence ao Chelsea

Outro ponto que precisa ser corrigido é a situação de Estêvão.

O atacante foi uma das maiores revelações recentes das categorias de base do Palmeiras e ganhou protagonismo antes mesmo dos 18 anos.

Porém, ele não integra mais o elenco palmeirense.

O Chelsea havia acertado sua contratação em 2024, mas o jogador permaneceu no Palmeiras até poder realizar a transferência. Após disputar o Mundial de Clubes de 2025 — no qual marcou justamente contra o Chelsea nas quartas de final — Estêvão encerrou sua trajetória no Verdão.

Em julho de 2025, ele passou definitivamente a integrar o clube inglês.

Na temporada 2025/26, o brasileiro utilizou a camisa 41 do Chelsea e chegou a fazer sua primeira partida como titular na Premier League em agosto de 2025.

Sua trajetória exemplifica um dos principais desafios do Palmeiras: revelar talentos de elite e, depois de negociá-los com grandes clubes internacionais, reconstruir o elenco sem perder competitividade.

Categorias de base continuam estratégicas

O desenvolvimento de jogadores tornou-se uma peça importante do modelo esportivo e econômico do Palmeiras.

A saída de Estêvão mostra exatamente como esse processo pode funcionar: o clube desenvolve um talento, incorpora o atleta ao futebol profissional e posteriormente realiza uma transferência internacional.

Mas existe uma consequência esportiva.

Quando um jogador desse nível sai, o Palmeiras precisa substituir não apenas uma posição no elenco, mas características específicas — velocidade, capacidade de drible, criação de oportunidades e desequilíbrio individual.

É nesse ponto que a integração entre categorias de base, departamento de futebol e comissão técnica se torna fundamental.

A estabilidade de Abel também pode ajudar nesse processo. O treinador conhece profundamente a estrutura do clube e já participou de diferentes ciclos de renovação desde sua chegada em 2020.

2026 reforça a longevidade da Era Abel

O começo de 2026 trouxe mais um marco para o treinador português.

O Palmeiras conquistou novamente o Campeonato Paulista, adicionando outro título à passagem de Abel. O próprio clube registra o Paulista de 2026 entre as conquistas do treinador.

Em julho, o Palmeiras utilizou a interrupção do calendário para preparar fisicamente e taticamente o elenco para a sequência da temporada.

No dia 3 daquele mês, o clube informou que liderava o Campeonato Brasileiro antes da retomada da competição.

Isso demonstra que, apesar da necessidade permanente de evolução, o projeto esportivo continua competitivo.

O verdadeiro desafio do Palmeiras

A discussão sobre o futuro do Palmeiras não precisa partir necessariamente da substituição de Abel Ferreira.

O problema mais interessante é outro: como manter um ciclo vencedor por ainda mais tempo?

Poucos projetos no futebol brasileiro conseguem permanecer competitivos durante tantos anos sob o mesmo treinador.

A estabilidade permite continuidade, mas também aumenta a necessidade de renovação.

Novos jogadores precisam assumir responsabilidades. O mercado precisa ser utilizado para corrigir carências. As categorias de base devem continuar abastecendo o elenco profissional.

E o próprio modelo tático precisa evoluir conforme adversários passam a estudar cada vez mais o Palmeiras.

O clube entra, portanto, em uma fase na qual continuidade e transformação precisam coexistir.

Abel Ferreira e Palmeiras caminham para um ciclo ainda mais longo

A ideia de que o Palmeiras precisa encontrar uma identidade após Dorival Júnior parte de uma premissa temporal incorreta.

Dorival pertence à história palmeirense de 2014.

O presente é de Abel Ferreira.

Desde 2020, o treinador português transformou sua passagem em uma das mais vitoriosas da história do clube e, com contrato até dezembro de 2027, ainda tem espaço para ampliar esse legado.

O desafio do Palmeiras agora não é começar do zero.

É conseguir renovar jogadores, incorporar novos talentos e desenvolver alternativas táticas sem destruir aquilo que tornou o projeto vencedor.

Depois de 11 títulos, a pergunta para o Palmeiras não é quando começará uma nova era.

É até onde a Era Abel Ferreira ainda pode chegar.

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